segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Livrai-me de toda lucidez

Livrai-me de toda lucidez

Amém de luzes tardias

Desnutridas sob o soprar.


O normal e sua flacidez.

Moleza que refém fazias

Do meu pesar a carregar.


Serei o que você me fez

E me tornarei o que querias

Quando este calor passar.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

P.C.

A tela acesa
(Eu a acendi)
Brilha uma beleza

Frente ao meu rosto.
Na sala lotada
Junto com o meu pesar,
Jaz sobre a mesa sentada
Um cubo a desnortear.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Felicidade

Doces tardes de domingo
Noites em branco no escuro.
Só você em sua doçura
Apenas eu em minha amargura.
Felicidade temporária e eterna.

Passadas a dor e as dúvidas,
Tudo aquilo não será em vão.
O machucado
A cicatriz
A cura
Perdidas no chão.

Ao acordar ao seu lado
Invencibilidade em meu corpo
Felicidade temporária e eterna.

Dor dor dor
Felicidade temporária e eterna.
Dor dor dor
Sem felicidade temporária e eterna.
Dor dor dor
E a felicidade temporária e eterna
Titubeia e ameaça se quebrar

O romance é precioso
Mas pode sumir entre calmas
Que possessivas aprisionam
E arranham nobres almas.
Só meu vício é obsessão,
Uma loucura e uma paixão,
Febril em suas pancadas
E eternamente preso a seu coração.

Maravilhado
Admirado
Contente
Por sua felicidade.
Temporária e eterna
Madura com a idade.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Impotência

O desassossego de pensar
É o esquecer de sentir
O que ainda não é pra falar
E o que ainda é demais pra pedir

Esvazie-se do passado imperfeito
Conjugado por verbos irreais.
Assuma que o “nós” é o meio
E o “eu” parte de memórias frugais.

Impotência viral
Profusão de perdas
Ganho reverso.

Manchas no mural
Multidão de deixas
Amor perverso

domingo, 11 de outubro de 2009

Quadra popular 2

Se você consegue me sentir
Como sempre te senti,
Não precisaria eu pedir
Para lembrar do que perdi.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Sono

Dormi, disperso, e dormir é focar.
Onde sonhei com a calma,
Ouvi que a morte deseja parar
A escuridão que ilumina a alma.

Clara sombra se esconde quando penso
A ilusão desta realidade.
Abro então a boca, respiro e tento
Adentrar a luz que demonstra a idade.

Luz, luz luz, no sono e na morte,
É uma diferente junção de gêmeos
No dia e na noite idênticos no que é forte.

Tudo é mentira, tudo na sua ágil imobilidade
Foge de uma abstração indefinida,
Obviedade ouvida de algo só visto como verdade.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Poema para os filhos

Cria, cria, cria
O esboço.
Que sumia
dO poço.
Mostre O esboço
Para A sua cria, cria, cria...