terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Porcelana Azul

Então isso é o que chamo de saudade. A porcelana azul pode ser quebrada após anos ou em alguns dias. No meu caso, estou há 53 horas sem o meu anjo, que viajou para Arraial do Cabo com a família. “Dois dias e pouquinho só. Como assim, Felipe? Não está sendo dramático?”. Não. Em oito meses de união com esta rosa, nos falamos diariamente com uma frequência invejável entre outros casais. Ontem e hoje, porém, nosso tempo exato de diálogo é de 4m17s. Banalidades como “estou no trabalho”, que geralmente vem com a resposta “é tudo tão bonito aqui... os peixinhos, o mar azul. Vou passar o resto do dia em Búzios”.

Não sei o que esta pessoa está fazendo. A comunicação é complicada. Minhas armas nervosas estão carregadas. A qualquer momento posso atirar, ocasionando uma explosão emocional de graves consequências. Faço papel de bobo. De um lado, o Sil malandro, combinação de influências urbanas, que grita: “não ligue para ela, otário. Não vê que ela está se divertindo? Deixa ela te ligar. Não corra atrás”. Do outro lado, o Sil romântico, mais condizente com a história da minha adolescência e de suas intermináveis tardes a decifrar versos românticos em um quarto fechado: “você finalmente encontrou a mulher que sempre procurou. Não se faça de difícil. Ligue para ela. Abra-se para esta pessoa e diga o que está sentindo. Não tenha medo de parecer babão ou outra coisa parecida. Afinal, o importante é ser você”.

Conheço-me bem. Optei pela primeira posição. Tentei viver minha vida. Afundei-me em um universo rodeado de Moby, Schopenhauer, Beastie Boys e futebol. Caminho livre e ensolarado por um tempo. Posso dizer até que cheguei lá por um tempo. Consegui paz de espírito (??) por algumas horas. Uma espécie de transe intergalático entre o que sou e pretendo ser. Um remix individual de emoções.

Por volta de meio-dia, surtei. Que ela está fazendo? Por que não me ligou ainda? Está tudo tão divertido assim? Não se trata de desconfiança ou suspeita. Só uma coceira e uma curiosidade de saber o que minha pessoa preferida deste mundo está realizando em determinado momento da história deste planeta. Questão de tempo e espaço. Presente. E agora? Desabafo por aqui e o que ela faz? Estará andando em alguma rua florida? Comprando roupas? Nadando na praia? O quê? Eu sei que estou aqui, exatamente às 22h de uma véspera de feriado, ilhado em São Cristóvão pela chuva intensa.

O fundo branco é onde vou descarregar o peso da minha excitada consciência. Serão longos sete dias e espero que eu saiba administrar a ausência com maturidade e postura. Deus sabe que não vou conseguir. Em algum momento, como um selvagem sem instrução e educação, irei explodir em algum gesto ou discurso inflamado. Confusão.

Nenhum comentário:

Postar um comentário