terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Relva negra

É... tem sido uma virada de ano longa e sombria. Os tetos caem sobre o chão e o solo levita sob a consciência pesada de gestos do passado. Neve por todos os lados. Apenas a substância não é mais branca como há meses atrás. Algo seco e estranho percorre essa atmosfera antes confortável. Posso perfeitamente lembrar de quanto tudo era apenas uma noite calma e divertida em um banquinho tosco. As imagens surgem por janelas de imaginação que me permito abrir em minha frente para enxergar atrás de um muro de confusão, orgulho e falta de comunicação. Obstáculo este congelado. Uma repulsa contra qualquer ato ou sentimento redentor. Os arquitetos do futuro se desentenderam quanto a seus planos. Caminhos separados, dizem. Diferenças que não podem ser transpostas. Uma pessoa madura. Outra imatura. Uma bonita. Outra feia. Uma divertida. Outra introspectiva. Pior: um carnaval de personagens em festa ao redor. "Você não parece bem". "Quer continuar com isso". "Pense no que é melhor para sua vida". Dizem os querubins da tristeza. Respondo eu: se o amor existe, onde está? Saia de trás destes arbustos realistas e deite-se comigo nesta relva negra que chamam por aí de solidão.

Um comentário:

  1. Belo artigo meu caro! Muito bonito todas essas suas palavras! Tudo passa. Não há mal que perdure, ou bem que nunca acabe! E assim caminha a vida, que é uma puta de uma roda gigante! Abçs!

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